Durante a Copa, exposição mostra um Rio de Janeiro desconhecido por muitos

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“Baia de Sepetiba e Santa Cruz: em busca de um futuro legal” fica em cartaz até a próxima sexta-feira (11) na Lapa
 
 
Moradores de Santa Cruz e o fotógrafo André Matelli
durante o lançamento da exposição. (Foto: PACS)
Não só de Copacabana, Pão de Açúcar e Corcovado é feita a natureza do Rio de Janeiro. Em cartaz até a próxima sexta-feira (11) no Centro de Teatro do Oprimido (CTO) na Lapa, a exposição “Baia de Sepetiba e Santa Cruz: em busca de um futuro legal” revela um cenário de riquezas ambientais na Zona Oeste que não aparece nas propagandas da cidade maravilhosa. Localidade impactada por atividades industriais, mas que abriga um povo que resiste à degradação do lugar e luta por uma vida digna.
Morador da região há 70 anos, o pescador Ozéas Quintanilha recordou as transformações que vem sofrendo a Baía de Sepetiba ao ver sua foto revelada em um dos painéis no lançamento da exposição. “Essa foto me faz lembrar muitas coisas. Ali era o rio onde eu bebia água e agora é uma vala. Ao mesmo tempo que me dá alegria porque estão divulgando o que está acontecendo lá, me dá tristeza ver o rio daquela maneira. O desenvolvimento é bom, mas não dessa forma. Fico triste de ver isso acontecer em minha terra”, declarou.
Além da instalação do Porto do Itaguaí e do vazamento de metais pesados da Companhia Ingá Mercantil na década de 1980, os impactos ambientais foram acentuados com chegada em 2007 da ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). Empreendimento da Vale e da ThyssenKrupp, a TKCSA é responsável pelo aumento de 76% da emissão de gases de efeito estufa na cidade do Rio de Janeiro.
Mudanças também percebidas pelas novas gerações. “Antes da TKCSA chegar em Santa Cruz meu pai me levava para andar de barco. Eu gostaria de andar novamente e ver aquela beleza que havia antes. Se a TKCSA continuar com a poluição que está hoje, amanhã vamos estar sofrendo muito mais que nossos pais. Nós precisamos lutar pra ter um futuro bom, ter um meio ambiente melhor do que estamos tendo agora”, contou a adolescente Aliane Elizia, de 14 anos.
Vozes que marcaram presença durante o lançamento da exposição no dia 3 de julho. Iniciativa do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo e a Justiça Global, a mostra apresenta sete painéis do fotógrafo e midiativista André Mantelli. “Nosso objetivo primeiro era mostrar o Rio de Janeiro que não sai na propaganda. Na Copa muito se fala dessa cidade maravilhosa, mas não se fala de Santa Cruz, que é aqui do lado e também é na cidade do Rio de Janeiro. Uma região que tem riquezas, que tem uma força, um povo”, lembrou Karina Kato, técnica do PACS.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é o próximo destino das fotografias, que serão expostas durante todo o mês de agosto. De lá, a mostra seguirá de forma itinerante para outros lugares do Rio de Janeiro.
Em reunião, moradores exigem explicações de órgãos ambientais
Sem resposta concreta do Estado, pediram divulgação de TAC assinado pela TKCSA
Ainda no dia 3 de julho, moradores do bairro de Santa Cruz se reuniram com representantes do Instituto Estadual do Meio Ambiente do Rio de Janeiro (INEA) e da Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA) para cobrar do poder público que intervenha na resolução dos problemas sociais e ambientais que vive a região. Os representantes da população afetada exigiram também a divulgação do último Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pela TKCSA em 2014. Mais uma vez, os órgão ambientais não deram respostas concretas às demandas apresentadas durante o encontro.
“O que queremos saber é onde está a renovação do TAC da TKCSA pra poder ela continuar em funcionamento. A gente quer saber a verdade. Nós temos a verdade do que está acontecendo com os moradores da região, mas do TAC que permite o funcionamento da TKCSA até agora nós não sabemos. Nós somos pequenininhos, mas temos força pra gritar que nós queremos a vitória na nossa comunidade”, exigiu Jaci do Nascimento, pescador e morador de Santa Cruz.
Um novo encontro foi marcado para a penúltima semana de julho na sede do INEA, onde a população da Baía de Sepetiba voltará a cobrar uma solução do Estado para os problemas que afetam a localidade.  
Serviço
Exposição “Baía de Sepetiba e Santa Cruz: em busca de um futuro legal”
Local: Centro de Teatro do Oprimido (CTO)
De 03 a 11 de julho, das 10h às 18h
Endereço: Avenida Mem de Sá 31, Lapa, Rio de Janeiro
Informações: 2210-2124
Entrada Franca
Local: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
De 15 de julho a 15 de agosto
Endereço: Av. Brasil, 4365 – Manguinhos, Rio de Janeiro
Informações: 2210-2124
Entrada Franca
 
Contatos para a imprensa
Sandra Quintela – 55 21 98842-6472

Karina Kato – 55 21 98529-2802

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